29 de novembro de 2011

Força muda


O que os mais velhos não ensinaram, a vida nos ensina...

Ensina que a única certeza é a que ontem chegamos e amanhã partiremos. Nesse ínterim, o hoje, é não estar certo se vai chover, fazer frio ou calor, mas entendidos de que viveremos de acordo com as nossas intensidades e entregas.

Ensina que somos capazes de superar a perda, por maior que ela seja... Porque aprendemos que somos donos apenas do que não vemos, e o que não vemos está sempre bem guardado dentro de cada um de nós. 

Ensina que não estamos prontos para coisa alguma, e que a reticência só dá lugar ao ponto final quanto estivermos completamente terminados. Os que estavam prontos, já assinaram a ultima página da história de suas vidas, realizadamente, terminadas. 

Ensina que devemos estar preparados... Pessoas vão nos ferir e nos magoar sem que elas se deem conta disso; e sem percebermos, vamos também ferir e magoar pessoas... Mas, cicatriz só vai ficar se permitirmos que as feridas e magoas sejam maiores que o sentimento que nos ligam às pessoas.

Ensina que a paixão não é louca e que o amor não é bonzinho. Loucura e bondade são qualidades que estão na atitude das pessoas. Vilão ou mocinho são as pessoas, não os sentimentos. Ensina, também, que o ódio é a mediocridade do coração que não soube amar e não sabe perdoar-se.

Ensina que não é preciso lamentar quando o nosso melhor, dado a quem está/esteve ao nosso lado, não é/foi retribuído na mesma proporção e qualidade. O mais importante é doar-se pela certeza que seremos lembrados como alguém que passou e tatuou, ainda que com curtas linhas.

Ensina que a “outra metade” só existe para os que querem ser inteiro, e o “inteiro” só para os que querem ser metade. Ser “metade” só é válido quando caídos, não conseguimos levantar; e ser “inteiro” só quando de pé, não temos em quem se apoiar.

Ensina que não existe agulha no palheiro, pois é a procura que nos torna cegos; perdidos enquanto procuramos, somos achados quando não esperamos. Ensina, ainda, que a “Lei de Murphy” só atrai a alma do pessimista, pois ela nunca foi/é capaz de romper os seus próprios limites, vencer os seus medos e enfrentar os seus fantasmas.

... A vida nos ensina... Ensina que para sermos mais fortes é preciso olhar para o passado, pois nele está as referências para o futuro que construímos no presente. Ensina, ainda, que podemos não saber sobre tudo, mas devemos saber tudo sobre nós!

(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

Assista ao vídeo desse texto: http://ow.ly/aPJ0L

23 de novembro de 2011

Pequena grande razão


Ficamos completamente irracionais em momentos de euforia. Porém, é na "tristeza" que conseguimos racionalizar nossos sentimentos, transformonado-os em força "muda" e "cega". Somos impelidos a refletir tanto nesse momento que somos capazes de identificar causas e efeitos  desse estado de conflito interno. Encontramos fragmentos de sentimentos que, antes confusos, passam a ganhar nomes e formas exatas.

Quando alegres, queremos estar juntos dos amigos e de todos que gostamos. Quando tristes, nada mais queremos, senão ficar sozinhos num escuro que só a gente entende e se depura. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam e dizem, isso não é tão ruim quando somos capazes de refletir, qualitativamente, a favor de nós mesmos. É ali que evoluímos como pessoa e como indivíduo.

Como quase tudo à nossa volta precisa de ajustes, nós também não somos diferentes. É na tristeza, e nos momentos a sós, que podemos transformar nossos sentimentos em força gladiadora para vencer essa e outras batalhas. Porém, fica a dica: racionalizar tudo isso através da tristeza, não é se definhar na dor que ela causa, mas sim canalizar a fraqueza e fragilidade para forjarmos uma armadura de defesa e luta, uma espécie de autoblindagem.

Certo dia, uma pessoa muito querida me disse alguma coisa do tipo: precisamos “voltar” ao passado traumático para identificar nele o/qual sentimento ficou suprimido e por quê ele nos causam tanta fraqueza. Em seguida, ele preponderou: só assim venceremos nossos medos e desmistificaremos nossos fantasmas. Ele só se esqueceu de dizer que a/na tristeza é o momento certo para isso.

Eu ainda arrisco afirmar: não nos preocupemos quantas vezes ficaremos tristes por isso ou aquilo. Procuremos explorar, ao máximo, o que isso ou aquilo pode nos modificar, mesmo no ambiente da tristeza. Porque tristes, vamos ficar muitas vezes e por vários motivos. Mas, se aprendermos a fazer da tristeza a nossa aliada, poucas vezes nos tornaremos presa fácil dela!  

Então... Viva a tristeza! ... Ou melhor, a força que podemos absorver dela.

PS: Dê o seu melhor, mesmo não sendo, talvez, o bastante pra o outro. Deixe ser visto como nunca antes observado, percebido.  Permita-se ser tocado por você mesmo, mas nunca abusado pelos outros!

Contudo, leve consigo a descoberta de que pode muito além do que você imagina, surpreenda a si mesmo e encantará todos à sua volta. 


(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)