17 de julho de 2011

Saudade


Saudade da inocência da infância, onde tudo, ou nada, sorvetes ou balas, serviam de motivos para revigorar o fôlego, encher o coração... Sorrisos largos sem medos e receios. Olhos atentos sem noção de tempo. Dos choros como quem não sabia pedir ou esperar. Passos firmes sem dar conta da distância, da fadiga, dos sentimentos que surgiriam dos mesmos passos.

Saudade da fantasia do primeiro amor, das sensações do primeiro beijo, da primeira vez que nem me lembro... Saudade de um tempo de saudade...

Saudade de quem se foi sem se despedir, deixando o sorriso e os bons momentos como um cartão postal de uma visita rápida, cuja passagem tatuou o coração de quem viu e conviveu.

Saudade de quem se despediu, mas ainda não se foi. Que resiste dentro do peito aos frios e calafrios das lembranças que não querem se apagar, nem descolorir.

Saudade é o produto interno bruto do tempo que passa, e com ele tudo o que foi bom. É a moeda com correção monetária que o coração não quer pagar, já que só ele sabe contabilizar o fator de risco e o rendimento dessa demanda interna. Tudo é saudade: matemática da mente e biologia do coração!
(Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados)

13 de julho de 2011

ComUM

Hoje, as pessoas são (re) conhecidas pelo seu diferencial. A originalidade das ideias e do comportamento tem o incrível poder de atrair pessoas, conquistar admiração e gerar um grande potencial nas (inter) relações.

O ser “igual” ou “semelhante” está fadado ao "desprezo", ao olhar sem graça de quem espera a união de várias forças que se complementam. O mundo está cheio de cópias que sequer sabem sua origem, aonde vão ou querem chegar. Multidão sem identidade, essência, assinatura.

O ser “diferente” não está basicamente em padrões estéticos como muitos acreditam, ele não se apóia em meras visões relâmpagos de quem passa por si ou por outro. Diferencial é o arrojo de sair da multidão e ocupar um espaço próprio, ser visto como quem é e quem faz a diferença, por menor que ela seja. É também o talento e habilidade de fazer a mesma coisa que outras pessoas, mas com um resultado surpreendentemente peculiar.

O diferencial não é ser bom em muitas coisas, mas é fazer bem e melhor aquilo que seu talento transformou em grande habilidade e competência. É despertar dentro de si o puro prazer de aprimorar quem você é e o que sabe, mediante a combinação de autoconfiança, conhecimento, oportunidade, ação e ousadia.

As pessoas que apresentaram ao mundo uma forma diferente de pensar, agir e fazer estão em constante ascensão ou, no mínimo, eternizadas na memória de muitos. É século XXI. As pessoas buscam fugir do comum, do mundo previsível que nada tem de atraente ao olha de pessoas cada dia mais exigentes.

Não se trata da busca por status ou glória, senão a original façanha de ser visto pelo que é, não pelo que tem; notado pelo que faz, não pelo que deixou de fazer; e, é claro, ser lembrado como quem passou, moveu, mudou, transformou, inovou e fez toda a diferença numa, noutra ou em várias pessoas.
(Adriano Utsch Egg / Todos os direitos reservados)

3 de julho de 2011

Sentidos da vida

À ação, antecede um incrível processo em que células cerebrais (re) definem, com o raciocínio, toda articulação muscular e física. Antes de um mínimo movimento, acontecem “explosões” internas que dificilmente conseguiríamos entender ou acompanhar toda essa biologia do corpo humano. Entretanto, esse mundo invisível só é possível porque no mundo externo algo está em constante movimento, mudança e transformação. Um mundo visível que adentra as vias dos sentidos e se transforma em sensações inexplicáveis e imensuráveis.

A vida começa por atitude. Atitude é o começo de tudo, ou quase tudo. Mas a pergunta é: o que estamos permitindo entrar em nossa mente e/ou coração? Quem está no controle, você ou sua atitude? O que estamos fazendo para que nossas absorções convertam-se em algo “novo” e agradável? Às vezes, não é possível controlar o que entra pelas vias dos sentidos, mas é possível controlar as mudanças que isso possa fazer dentro de nós. É possível conduzir a mente e o coração a favor daquilo que se espera ou não deseja. Tudo é questão de escolha, foco e uma constante sintonia entre o desejo e seu estímulo.

O coração e/ou mente é como uma grande lavoura... Cabe a cada um cultivar a semente que quiser, ou a que melhor lhe parecer à visão, ao som, ao toque, ao tato e/ou ao paladar. Enfim, fazer da sua lavoura uma terra fértil ou estéril para “aquilo” que adentra as vias da mente e/ou do coração. Porém, consideremos também que a mente e o coração é desprovidos dos sentidos, já que eles apenas respondem àquilo que permitimos germinar. E, é claro, “comemos” do fruto que cultivamos e colhemos aquilo que plantamos.


(Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados)