19 de janeiro de 2012

SOPA e PIPA, Made in EUA

Os EUA querem reaver sua riqueza a partir de um “sopão” a base de ingredientes que, de tão inusitados, chegam a causar bulimia antes mesmo de ser saboreado. Por ironia de um destino cruel, que zomba na cara da sua prepotência, agora estão a favor da anorexia na sociedade em rede. E é claro, com um discurso altruísta e benevolente ao ritmo americano.

Tramitam na Câmara e no Senado dos EUA projetos de lei para reprimirem e punirem a pirataria de produtos nas indústrias fonográfica e de cinema. Nada mais, nada menos que a proibição ao acesso livre aos produtos das maiores indústrias do mundo
da música e do cinema: Disney, Universal, Paramount, Warner Bros e tantos outros gigantes que ditam as regras, ou melhor, os ingredientes para SOPA e os ventos para empinar PIPA. Querem todos assentados nos bancos do já “deserto” Central Park para brincarem com a nova PIPA e degustarem a quentíssima SOPA, tudo feito com a magia e encanto dos chefões do "halloween econômico" norte-americano. Mas a regra é: nada de democratizar o acesso. Os direitos de propriedade intelectual da SOPA e da PIPA é Made in EUA, mas sem o ISO 9001, por favor!

Tudo pela coragem de não ficar ainda mais pobre. Tudo pelo retorno ao prazer dos tempos de glória das receitas bilionárias das grandes gravadoras e estúdios de filmes. Afinal, a riqueza não pode se concentrar na minoria jovem, à la Mark Zuckerberg,
que tomaram o poder pela internet, menos ainda deixar que os tão jovens empreendedores da geração “Y” tomem conta do mundo. Eles não podem, tem que deixar a tradição perpetuar para além dos cabelos brancos. É o grande nacionalismo americano. Os idosos caquéticos ainda precisam dos holofotes, dos cliques de paparazzis. Estão ansiosos para voltarem a encabeçar a listas dos mais ricos do mundo pela revista Forbes.

Os EUA estão meio apagadinho, com notícias que abalam ainda mais sua economia e enfraquece seu poder ditatorial. Eles precisam retomar a atenção da mídia mundial com seu poder carismático para domínio absoluto, hoje nem tão disfarçado de gata borralheira que sequer sabe aonde reencontrar seu sapato de cristal, seu domínio e controle econômico. Mas o problema é como convencer o príncipe que o castelo continua lá, nos EUA. 


Brasil, China, Índia, Japão, Rússia... Que nada! Quem é rei nunca perde a majestade, mesmo que o reino esteja com seus muros ao chão e seus cavalos sem seus cavaleiros. Vale lembrar que na história de Shrak, para subir ao trono do palácio, tem que parecer forte como o ogro, mesmo que o ser porco seja um instinto, caso contrário, nem princesa Fiona e nem reinado, a menos que consiga a camaradagem de um burrinho tagarela que acha que pode conduzir a tropa. Até a Disney soube dizer isso muito bem. Que tal aquele gesto americano com o polegar e o indicador que todos já sabem? “Ok”?!

Então, recapitulando... Todos engolindo SOPA e admirando PIPA, sem se manifestarem! No final do ilusionismo de Obama, todos têm que fazer cara de paisagem, porque a sociedade global vai ter que se acostumar sem o gurú Google, sem o terceiro olho Youtube, ou sem a mega vitrine Facebook e a "águia-correio" Twitter. Faz parte dos ingredientes. Claro, gente! Os americanos estão emocional e orgulhosamente abalados... E seus pés estão doloridos de tanto andarem em círculo para reduzir o crescente índice de desemprego no país. Isso sem mencionar os calos em suas mãos que não são frutos de um trabalho limpo, mas de carregar e manusear um arsenal de guerra antiterrorista. Na verdade, terrorismo mesmo é viver com a lembrança de que a caça ao terror deixaram eles terrivelmente com os bolsos vazios.  Esse povo sabe o que faz. Só não sabe por onde (re)começar.

Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados

17 de janeiro de 2012

Vai um estuprinho aí?

Vivemos o boom da conectividade social. O Brasil é o recordista mundial no volume de uso da internet, são quase 50 milhões de brasileiros que passam mais tempo conectados, ficando à frente dos Estados Unidos, Japão e Alemanha (IBOPE/NetRatings). Arrisco dizer que, diante dessa realidade, as redes sociais passam a ser o termômetro da mídia de massa, uma espécie de “mercado teste” para consultoria virtualmente gratuita e voluntária para as grandes audiências. É a mídia movendo a massa e a massa redirecionando a mídia. Uma relação que de tão passional, chega a ser “adúltera”, no bom sentido da palavra.

Testemunhei três grandes polêmicas nas redes sociais nos últimos dias. A primeira foi a resistência em massa ao programa Big Brother Brasil 12. E ficou bem bem claro que a direção do programa cuidou de mudar isso, gerando novas polêmicas ainda no início do programa que repercutiram nas redes, como por exemplo, a resposta de Daniel à pergunta de Pedro Bial sobre cotas para afrodescendentes no programa, eis então outra polêmica. Por último, a repercussão que virou até hit na internet e daqui a pouco estará nas letras musicais de baile funk: o suposto estupro. Ora, se a massa resiste em obedecer sua tutora, dá-lhe marretada!

O que seria um estupro? A legislação brasileira ainda não consegue definir a configuração específica para o estupro, pois a nova legislação definiu que os crimes de atentado ao pudor e de estupro são a mesma coisa, e passíveis de uma única pena. Entretanto, há quem defenda que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", pois estupro e atentado ao pudor são do mesmo gênero, mas não da mesma espécie. Não se trata apenas de dar nome aos bois, mas de saber o que distingue um boi de uma vaca, ou vice-versa. No reino animal isso é muito bem definido, mas no reino dos animais racionais, isso ainda é uma incógnita que gera muito dinheiro para os “grandes fazendeiros” da mídia de massa.

Tá na moda galera. Quem não se lembra dos estupros sociais, em massa, dos escândalos políticos? Para o PT, o “eu não vi” foi a maravilha nas saídas à francesa. Hoje, ah! “Não me lembro”. Nada melhor que uma desculpinha à brasileira, e movido pela paixão nacional: uma bebidinha de leve; afinal, o exagero está nos olhos de quem vê.

Se buscarmos a definição para “massa”, vamos encontrar um conceito genérico que faz referência à mistura de farinha com água ou outro líquido, resultando num todo espesso, tenro e consistente: uma pasta. Mas é isso mesmo, a massa não tem identidade, é uma Maria vai com as outras. Porém, à luz da lógica midiática, a massa é uma “pasta” magnificamente indispensável para se aquecer no fogo das polêmicas e comer à mesa dos banquetes milionários dos patrocínios. Viva a linda ignorância da massa! Rende milhões de reais e ainda é cega! Vai um estuprinho aí? 

 
Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados.