22 de setembro de 2012

"Tempos de ouro"



No tempo dos meus avós, a evolução científica andava a passos de tartaruga. O homem não se preocupava tanto em entender e transformar seu espaço, seu mundo como nos dias de hoje. Seu esforço era voltado para valores internos e que, à época, eram perpétuos e o grande capital social.  

- [...] Pois é dona Fulana, na nossa época, não era assim [...]. Afirmou dona Sicrana.
Quem nunca ouviu esse tipo de diálogo e/ou afirmação, não vai entender que as obras da mão do homem fez evoluir apenas o seu espaço material, enquanto sua essência “humana” ficou aquém da necessária evolução.  O homem fez evoluir tanto o seu mundo, que modificou até o que não precisa... E como consequência, ganhou o grande déficit no valor moral do indivíduo. E a cada evolução adquirida, conquista-se o regresso do homem “evoluído”. E porque não dizer: dominamos o mundo e modificamos seu espaço, porém, perdemo-nos nesse mesmo mundo e nos damos conta de que nada disso nos fez/fazem felizes.

Dizem por aí, que tudo isso é para melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mas o disparate desse discurso é que a espécie humana nunca esteve tão doente, e em todos os aspectos. Nos tempos dos meus avós, amor e felicidade eram tão comuns que a ausência deles causava estranhamento. Hoje, quem os tem, passam pelo mesmo estranhamento. A questão não é o que se tem, mas sim o que se tinha; não o que se conquistou, mas sim o que se perdeu. Mas, afinal, o que perdemos diante de tantas conquistas? Se você não tem a resposta, é porque você ainda não sentiu falta. E quando perceber a falta, vai se perguntar onde estão muitas coisas.

Por que algumas coisas como “amor” e “felicidade” são realidades apenas nos longa-metragens e best-sellers da indústria cultural? Será que elementos, tão próprio do animal racional, servirão apenas como lembranças de um passado desejoso?  A questão é onde estamos buscando algumas dessas coisas, e onde depositamos e concentramos as expectativas sobre essas e outras realidades que continuam sendo nossas, não apenas de uma era passada. Nos tempos dos meus avós, elas existiam na íntegra e com louvor.

O tempo dos meus avós foi logo ali, não tão longínquo. Ainda dá tempo de voltar atrás e resgatar os "tempos de ouro” da verdadeira evolução da espécie humana. Mas isso só será possível se deixarmos de lado o imediatismo, a “pressa” que o mundo contemporâneo nos impõe. Quem caminha lentamente aproveita melhor o ambiente, a paisagem e tudo o que ela tem a proporcionar. Em contrapartida, quem corre, tende à queda e à perda de grandes emoções ao longo do caminho. O importante não é o tempo decorrido, mas sim a chegada alcançada.  

PS: o “bom” passado é um ponto de vista que requer um exercício de reflexão e interiorização. 

(Adriano Utsch Egg / Todos os direitos reservados)