17 de dezembro de 2011

Mero exagero

Beba com moderação. Ah, claro! É sempre difícil controlar-se após o primeiro gole. Com ele vem a sensação de sempre querer mais... E mais... Mesmo assim eu insisto: beba com moderação. Não sei dizer como, mas posso apresentar alguns porquês. Metáfora!

Não busque tanto o “sim”, nem resista tanto ao “não”. Sabe qual a diferença entre o “sim” e o “não” em sua vida? Primeiro vamos começar pelo seu corpo... A pronúncia de um “não” movimenta mais músculos, ao passo que o “sim” exige-se bem menos, além de a direção do ar ser também diferente: em uma você aspira, em outra espira. Há uma estreita semelhança no “exercício” dessas duas palavras em sua vida, seja em força, seja em direção. O “sim” pode não exigir muita força física de você, mas certamente vai demandar muito mais do seu Eu constitutivo. Em contrapartida, você precisará de muita força para absorver o que a vida lhe trouxer com o “não”. O ar é vida, o músculo é força. Logo, enquanto com um, observe-se e libera-se; com o outro, intensifica-se as exigências. Essas palavras podem ter o significa subjetivo na vida de cada um, mas suas verdades práticas são imutáveis, porque vão sempre exigir direção e força de você. Entretanto, beba com moderação.

Não tenha tanto medo. Se um dia você se afogar, seja lá no que for, procure não se desesperar, nem debater o corpo. Não pense no pior, você pode atraí-lo. Controle sua respiração, isso vai ajudar o seu batimento cardíaco. Caso contrário, o salva-vidas pode não conseguir ajudá-lo. Mas, se ele não vier, cuide-se! Você precisará de calma para emergir-se, boa visão para localizar-se, além de muita força para chegar à terra firme! Imprevistos sempre vão acontecer, pois é na adversidade que aprendemos o quão é importante saber nadar, mesmo que contra a correnteza. Porém, não se subestime demais, nem seja tão prepotente. Beba com moderação.

Não dedique tanto tempo à internet, às redes sociais. Se hoje você não aumentar a distância entre vocês, amanhã poderá não existir proximidade com a sua realidade, ou na pior das hipóteses, a aproximação pode tornar-se robótica. Ah, claro! É a era da informação, da tecnologia, da conectividade global, da cibervida... Mas de que vale tudo isso se você não desfrutar dos resultados na vida real? Calor humano, toque na alma, beijo de língua, olho no olho, aquilo... É isso mesmo, aquilo... Aquilo que a virtualidade é desprovida. Então meu caro, policie-se! Sua diversão pode até ser em bits, mas sua vida é verdadeiramente em átomos. Ah! Esqueci de dizer que virtual pode ser também o seu mundo interior. Beba com moderação.

Beber não faz mal a ninguém. Mas a embriaguez pode te levar ao mal aqui ou ao mau acolá! Afinal, “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” (Charles Darwin). Então, beba sempre com moderação!    

Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados

29 de novembro de 2011

Força muda


O que os mais velhos não ensinaram, a vida nos ensina...

Ensina que a única certeza é a que ontem chegamos e amanhã partiremos. Nesse ínterim, o hoje, é não estar certo se vai chover, fazer frio ou calor, mas entendidos de que viveremos de acordo com as nossas intensidades e entregas.

Ensina que somos capazes de superar a perda, por maior que ela seja... Porque aprendemos que somos donos apenas do que não vemos, e o que não vemos está sempre bem guardado dentro de cada um de nós. 

Ensina que não estamos prontos para coisa alguma, e que a reticência só dá lugar ao ponto final quanto estivermos completamente terminados. Os que estavam prontos, já assinaram a ultima página da história de suas vidas, realizadamente, terminadas. 

Ensina que devemos estar preparados... Pessoas vão nos ferir e nos magoar sem que elas se deem conta disso; e sem percebermos, vamos também ferir e magoar pessoas... Mas, cicatriz só vai ficar se permitirmos que as feridas e magoas sejam maiores que o sentimento que nos ligam às pessoas.

Ensina que a paixão não é louca e que o amor não é bonzinho. Loucura e bondade são qualidades que estão na atitude das pessoas. Vilão ou mocinho são as pessoas, não os sentimentos. Ensina, também, que o ódio é a mediocridade do coração que não soube amar e não sabe perdoar-se.

Ensina que não é preciso lamentar quando o nosso melhor, dado a quem está/esteve ao nosso lado, não é/foi retribuído na mesma proporção e qualidade. O mais importante é doar-se pela certeza que seremos lembrados como alguém que passou e tatuou, ainda que com curtas linhas.

Ensina que a “outra metade” só existe para os que querem ser inteiro, e o “inteiro” só para os que querem ser metade. Ser “metade” só é válido quando caídos, não conseguimos levantar; e ser “inteiro” só quando de pé, não temos em quem se apoiar.

Ensina que não existe agulha no palheiro, pois é a procura que nos torna cegos; perdidos enquanto procuramos, somos achados quando não esperamos. Ensina, ainda, que a “Lei de Murphy” só atrai a alma do pessimista, pois ela nunca foi/é capaz de romper os seus próprios limites, vencer os seus medos e enfrentar os seus fantasmas.

... A vida nos ensina... Ensina que para sermos mais fortes é preciso olhar para o passado, pois nele está as referências para o futuro que construímos no presente. Ensina, ainda, que podemos não saber sobre tudo, mas devemos saber tudo sobre nós!

(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

Assista ao vídeo desse texto: http://ow.ly/aPJ0L

23 de novembro de 2011

Pequena grande razão


Ficamos completamente irracionais em momentos de euforia. Porém, é na "tristeza" que conseguimos racionalizar nossos sentimentos, transformonado-os em força "muda" e "cega". Somos impelidos a refletir tanto nesse momento que somos capazes de identificar causas e efeitos  desse estado de conflito interno. Encontramos fragmentos de sentimentos que, antes confusos, passam a ganhar nomes e formas exatas.

Quando alegres, queremos estar juntos dos amigos e de todos que gostamos. Quando tristes, nada mais queremos, senão ficar sozinhos num escuro que só a gente entende e se depura. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam e dizem, isso não é tão ruim quando somos capazes de refletir, qualitativamente, a favor de nós mesmos. É ali que evoluímos como pessoa e como indivíduo.

Como quase tudo à nossa volta precisa de ajustes, nós também não somos diferentes. É na tristeza, e nos momentos a sós, que podemos transformar nossos sentimentos em força gladiadora para vencer essa e outras batalhas. Porém, fica a dica: racionalizar tudo isso através da tristeza, não é se definhar na dor que ela causa, mas sim canalizar a fraqueza e fragilidade para forjarmos uma armadura de defesa e luta, uma espécie de autoblindagem.

Certo dia, uma pessoa muito querida me disse alguma coisa do tipo: precisamos “voltar” ao passado traumático para identificar nele o/qual sentimento ficou suprimido e por quê ele nos causam tanta fraqueza. Em seguida, ele preponderou: só assim venceremos nossos medos e desmistificaremos nossos fantasmas. Ele só se esqueceu de dizer que a/na tristeza é o momento certo para isso.

Eu ainda arrisco afirmar: não nos preocupemos quantas vezes ficaremos tristes por isso ou aquilo. Procuremos explorar, ao máximo, o que isso ou aquilo pode nos modificar, mesmo no ambiente da tristeza. Porque tristes, vamos ficar muitas vezes e por vários motivos. Mas, se aprendermos a fazer da tristeza a nossa aliada, poucas vezes nos tornaremos presa fácil dela!  

Então... Viva a tristeza! ... Ou melhor, a força que podemos absorver dela.

PS: Dê o seu melhor, mesmo não sendo, talvez, o bastante pra o outro. Deixe ser visto como nunca antes observado, percebido.  Permita-se ser tocado por você mesmo, mas nunca abusado pelos outros!

Contudo, leve consigo a descoberta de que pode muito além do que você imagina, surpreenda a si mesmo e encantará todos à sua volta. 


(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

24 de outubro de 2011

Lindo mundo lúdico


- Estou angustiada... Sinto que tenho muito menos para viver do que tudo o que já vivi. Disse uma amiga.

Seria essa uma alusão ao saudoso passado ou ao lúdico mundo contemporâneo?

Tudo bem que tenho a metade da sua idade. Mas, ouvir aquilo me levou a refletir sobre várias coisas em minha vida. Uma delas é o que estou vivendo, construindo e como me vejo daqui a uns 5, 10 ou 20 anos? Por certo, o que faço hoje, definirá muitas coisas amanhã, seja em curto, médio /ou em longo prazo.

Os dias passam numa velocidade incrível, porque é fato que estão cada vez mais curtos, porém, é preciso se dar conta de que a soma deles representam semanas, meses, anos... Não perceber um dia ou outro é perfeitamente normal. Perigoso mesmo é não fazer dele (s) o “tijolo” na construção do futuro, do sonho, do desejo. Afinal, a era tecnológica promove mudanças e transformações no mundo à nossa volta como num piscar de olhos.

Vimos o átomo transforma-se em bits, o real dar lugar ao virtual, o calor humano à sobra das redes sociais, os sete mares reduzirem-se ao click, a vida ganhando uma “nova” alma na virtualidade. É a globalização tecnológica. Oba!!! Hã?! Evolução ou desconfiguração? Não importa! Importa o que fazemos dela e/ou com ela.

No ano de 1976, na interpretação de Elis Regina, Belchior compôs uma das músicas de maior sucesso da época: Como nossos pais; “... Ainda somos os mesmos e vivemos... Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais! Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. (...)”. Tempo em que a música foi uma forma importante de manifestação popular, onde a massa, numa só voz, aludia seu sentimento, sua identidade e o Eu - nós.  

Se essa música fosse composta nos dias de hoje, certamente o nome seria “Diferente dos nossos pais”, e, é claro: “... [já não] somos os mesmos e vivemos... [já não] somos os mesmos e [não] vivemos como nossos pais! Nossos ídolos [virtuais não] são os mesmos e as aparências enganam [sim]. (...)”; sem contar que boa parte da letra desapareceria.  

Novos tempos (difíceis ou não). Tempos de metamorfoses morais, conjugais, relacionais e de identidade. A globalização tecnológica trouxe consigo o antagonismo entre o ser e o parecer, o ser real e o ser virtual. Mundos que, na maioria das vezes, correspondem à mesma pessoa, porém, nem sempre passíveis de verdades, pertencimento ou realidade. Multi-imagens que podem até satisfazer aos olhos virtuais, mas muito pouco ao real. Fantástica sociedade-teatral das buscas, projeções e satisfações.  
  
Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados

23 de agosto de 2011

Invisível, mas real


O velhinho é infalível! Como um “cargueiro”, ele se incumbe de trazer e, também, de levar... Ele traz a cura e leva a dor. Traz o consolo e leva a perda. Traz a força para o recomeço, o otimismo para reerguer-se, e a esperança para prosseguir. O tempo é, sutilmente, fantástico! Caso o tempo não fosse tão real, não existiria passado. E caso ele não fosse tão importante, não existiria futuro, pois bastaria cada dia o sol, ou a lua, sem horas e datas.

Só “morre” de amor quem não deixa o tempo chegar e fazer a sua parte. Apega-se ao passado de tal forma, que faz do futuro a mesma face do presente. Amor não mata. Amor, cura! Mas, a falta de amor-próprio faz adoecer a alma!  

A solidão existe só para os que, no orgulho, sentem-se completos. Ou, àqueles que aceitam a fraqueza de sentirem-se incompletos, em razão de não terem uma única pessoa. A solidão também não mata. Porém, enlouquece a mente solitária e faz enfermo o corpo narcisista. Ps: prefira estar sozinho, mas nunca nos braços da solidão solitária! Estar sozinho é depurar-se.

Fico com as boas lembranças que o tempo deixou no passado; e com as  boas-novas que o futuro trará ao seu tempo. E o presente?! Ah! O presente é agora!

Tenho aprendido que tudo, verdadeiramente, passa!

Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados.

17 de julho de 2011

Saudade


Saudade da inocência da infância, onde tudo, ou nada, sorvetes ou balas, serviam de motivos para revigorar o fôlego, encher o coração... Sorrisos largos sem medos e receios. Olhos atentos sem noção de tempo. Dos choros como quem não sabia pedir ou esperar. Passos firmes sem dar conta da distância, da fadiga, dos sentimentos que surgiriam dos mesmos passos.

Saudade da fantasia do primeiro amor, das sensações do primeiro beijo, da primeira vez que nem me lembro... Saudade de um tempo de saudade...

Saudade de quem se foi sem se despedir, deixando o sorriso e os bons momentos como um cartão postal de uma visita rápida, cuja passagem tatuou o coração de quem viu e conviveu.

Saudade de quem se despediu, mas ainda não se foi. Que resiste dentro do peito aos frios e calafrios das lembranças que não querem se apagar, nem descolorir.

Saudade é o produto interno bruto do tempo que passa, e com ele tudo o que foi bom. É a moeda com correção monetária que o coração não quer pagar, já que só ele sabe contabilizar o fator de risco e o rendimento dessa demanda interna. Tudo é saudade: matemática da mente e biologia do coração!
(Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados)

13 de julho de 2011

ComUM

Hoje, as pessoas são (re) conhecidas pelo seu diferencial. A originalidade das ideias e do comportamento tem o incrível poder de atrair pessoas, conquistar admiração e gerar um grande potencial nas (inter) relações.

O ser “igual” ou “semelhante” está fadado ao "desprezo", ao olhar sem graça de quem espera a união de várias forças que se complementam. O mundo está cheio de cópias que sequer sabem sua origem, aonde vão ou querem chegar. Multidão sem identidade, essência, assinatura.

O ser “diferente” não está basicamente em padrões estéticos como muitos acreditam, ele não se apóia em meras visões relâmpagos de quem passa por si ou por outro. Diferencial é o arrojo de sair da multidão e ocupar um espaço próprio, ser visto como quem é e quem faz a diferença, por menor que ela seja. É também o talento e habilidade de fazer a mesma coisa que outras pessoas, mas com um resultado surpreendentemente peculiar.

O diferencial não é ser bom em muitas coisas, mas é fazer bem e melhor aquilo que seu talento transformou em grande habilidade e competência. É despertar dentro de si o puro prazer de aprimorar quem você é e o que sabe, mediante a combinação de autoconfiança, conhecimento, oportunidade, ação e ousadia.

As pessoas que apresentaram ao mundo uma forma diferente de pensar, agir e fazer estão em constante ascensão ou, no mínimo, eternizadas na memória de muitos. É século XXI. As pessoas buscam fugir do comum, do mundo previsível que nada tem de atraente ao olha de pessoas cada dia mais exigentes.

Não se trata da busca por status ou glória, senão a original façanha de ser visto pelo que é, não pelo que tem; notado pelo que faz, não pelo que deixou de fazer; e, é claro, ser lembrado como quem passou, moveu, mudou, transformou, inovou e fez toda a diferença numa, noutra ou em várias pessoas.
(Adriano Utsch Egg / Todos os direitos reservados)

3 de julho de 2011

Sentidos da vida

À ação, antecede um incrível processo em que células cerebrais (re) definem, com o raciocínio, toda articulação muscular e física. Antes de um mínimo movimento, acontecem “explosões” internas que dificilmente conseguiríamos entender ou acompanhar toda essa biologia do corpo humano. Entretanto, esse mundo invisível só é possível porque no mundo externo algo está em constante movimento, mudança e transformação. Um mundo visível que adentra as vias dos sentidos e se transforma em sensações inexplicáveis e imensuráveis.

A vida começa por atitude. Atitude é o começo de tudo, ou quase tudo. Mas a pergunta é: o que estamos permitindo entrar em nossa mente e/ou coração? Quem está no controle, você ou sua atitude? O que estamos fazendo para que nossas absorções convertam-se em algo “novo” e agradável? Às vezes, não é possível controlar o que entra pelas vias dos sentidos, mas é possível controlar as mudanças que isso possa fazer dentro de nós. É possível conduzir a mente e o coração a favor daquilo que se espera ou não deseja. Tudo é questão de escolha, foco e uma constante sintonia entre o desejo e seu estímulo.

O coração e/ou mente é como uma grande lavoura... Cabe a cada um cultivar a semente que quiser, ou a que melhor lhe parecer à visão, ao som, ao toque, ao tato e/ou ao paladar. Enfim, fazer da sua lavoura uma terra fértil ou estéril para “aquilo” que adentra as vias da mente e/ou do coração. Porém, consideremos também que a mente e o coração é desprovidos dos sentidos, já que eles apenas respondem àquilo que permitimos germinar. E, é claro, “comemos” do fruto que cultivamos e colhemos aquilo que plantamos.


(Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados)

15 de maio de 2011

Amor-amigo, amigo-amor


Conheci o amor, pela primeira vez, através da minha mãe. Mesmo sem saber o nome daquele sentimento, ou mesmo sem saber exatamente nada sobre ela, ou mesmo sobre mim, amei sem respaldo, sem reservas, sem medo, sem dores. Amei com toda minha alma! Hoje, este amor é maduro, adulto, amigo, com referências e sem inocência. E depois desse, tantos outros vieram e se foram... Mais alguns virão e também passarão, a menos que eu não queira! 

Com o meu primeiro amor, descobri minhas raízes, minha base, minha família. Com outros, descobrir novas forças, grandes prazeres, mais fôlego, outros pontos de vista, e mais outros, e mais alguns... Melhor mesmo é descobrir que por um amor, pode-se escolher nova família, outras referências e novas bases: o amor-amigo! E sobre esse amor, Vinicius de Moraes entendia muito bem: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”
Esse amor é cultivo, silêncio, convívio. É também partilha do "eu-nós", cumplicidade do "nós-um", retrato pintado pelo "um-sempre"! Afinal, amigo é amor, amor é amigo.
Amigo é quem sabe ver onde estamos, ler quem somos e, principalmente, desenha-nos mesmo de olhos fechamos. Ao amigo, o silêncio já não é incômodo, pois desse silêncio ecoa o diálogo, o conselho, a melhor das experiências. Amigo... Memória viva da nossa história; história digna de nossas lembranças.
Hoje sei que de nada adianta ter o ouro e a prata desse mundo se eu não tiver amigo. Entendo que a maior solidão é a de não ter amigo. Percebo que meu melhor caminho foi, é, e sempre será o amigo. Por isso, nunca abra mão de um amigo por uma pessoa que seu coração diz amar. E saiba que se você abrir mão, quando essa pessoa for embora, o sofrimento será duas vezes maior. Pessoas vão e vêm, sentimentos passam. Mas o amigo... Ah! O amigo será sempre a melhor escolha! 
PS: Faça de quem você escolheu para viver, seu melhor amigo! Faça também do melhor amigo, seu melhor amor!
Adriano Utsch Egg (todos os direitos reservados)

13 de abril de 2011

Temperança versus "Golias"

Se um dia você for alvejado por injúrias, afirmações infundadas, ou olhares rancorosos, é sinal de que você incomoda de alguma forma... Ou, no mínimo, o “agressor” vê em você aquilo que ele quer ser ou ter. E quando isso acontecer, não retribua da mesma forma. É melhor valer-se do juízo moral e manter seu sistema imunológico intacto a que se entregar aos açoites de uma alma enferma pela "imoralidade emocional". 

Ainda que lhe dirijam palavras torpes ou teçam sobre você aquilo que você não é, saiba que isso não mudará o que você é de fato, a não ser que você permita que isso mova um milímetro no seu comportamento. A temperança como resposta é uma lança de ferro quente na alma dos "loucos emocionais". 

E mesmo que lhe tirem o direito de defesa ou de resposta em momento oportuno, nunca tente criar novas circunstâncias para isso. Não se desespere, ainda não é chagada a hora! Até a folha que cai de uma árvore segue seu curso natural. O descontrole virá sempre com bons argumentos, porém não o suficiente para contradizer os comedidos. 

Sobretudo, asfalte os caminhos da sua vida com o seu melhor. Evoluir não significa vestir-se dos avanços e/ou inovações científicas e tecnologias, mas sim despir-se da ignorância sobre si mesmo. 

Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados

15 de março de 2011

Escravo do silêncio ou livre pelo poder da palavra


Quem não diz o que é, permite que o outro pense o que quiser! “O silêncio é a melhor resposta!”; esse jargão foi ligeiramente expressivo nos tempos de minha avó. Ela não entendia como as pessoas e o mundo caminhavam rumo a uma evolução estratosférica. Pra não dizer que tal jargão só foi legítimo nos tempos da ditadura militar. Vivemos em tempos “democráticos”, lugar dado aos que reconhecem a importância de suas vozes, de serem vistos, de serem lidos interna e extermamente.

Quem não se comoveu com a cena em que Hanna (Kate Winslet) silencia a sua verdade e dá a voz ao seu orgulho? Ou, de igual modo, quem não se entristeceu com a cena em que Michael (Ralph Finnes) cala-se diante de uma verdade que poderia inocentar Hanna de uma injusta sentença? Ela, analfabeta. Ele, estudante de Direito. No filme, O Leitor, eles se entregam às garras frias do orgulho amoral e desumano, onde o silêncio reprimem a redenção de suas vidas. Ambos, réus do silêncio sobre si e sobre o outro, são condenados à prisão perpétua: Hanna pela corte alemã; Michael pelo remorso. 

As palavras não ficam estáticas quando entregues às ondas do som, da voz. Elas ganham vida num mundo de sensações, desejos, projeções. A palavra tem a nobre função de levar luz à escuridão, libertar cativos e reduzir o eco nas relações intra e interpessoal. Já o silêncio, ao contrário, o oposto de tudo! A palavra tem poder. Poder de dar vida, de mudar o presente, (re) direcionar caminhos e escolhas... Tem também o poder de levar à ruína a “fortaleza” interior de uma pessoa, destruir uma civilização inteira quando usada por mentes perigosas e levianas!

Ontem por grunhidos, gestos, pinturas rupestres... Hoje, pelo português correto da nova reforma, pelas novas tecnologias de comunicação e informação que forjam uma sociedade cada dia mais em evidência. Uma sociedade de palavras. Pessoas baseadas no que dizem, que não se calam, expressam seu mundo sem medo e pelo desejo de serem vistas pelas verdades que regem seus valores e princípios. 

É tempo de abrir-se, expressar-se, validar as verdades. Permitir-se a si mesmo a oportunidade de ser conhecido pelo outro, ser lido e notado por ele. As incógnitas do silêncio são ataduras no mundo das realizações!

Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados.

25 de fevereiro de 2011

Século XXI e a crise Socioafetiva

Sentia-me comovido todas as vezes que eu via Camila chorar. E era todas as vezes que eu deixava e buscava Gabriel na sua salinha. Seu choro de tão intenso, causava soluços. 

- Observei que todas as vezes que venho trazer e buscar meu priminho Gabriel (2 anos) aqui na escolinha, aquela garotinha está sempre aos prantos. Por que ela está sempre chorando? Perguntei a professora.

- Ah! Aquela é a Camila. Ela é uma criança muito carente... A mãe está grávida e isso está deixando ela insegura e com ciúmes. E ela só para de chorar quando a pego no colo. Disse a professora.

Saí dali um pouco estarrecido depois de saber os motivos do triste choro de Camila. Entendi que suas lágrimas não eram de uma criança com dificuldades de adaptação ao novo ambiente, à escolinha; e que seus soluços não eram mera frequência de um choro ininterrupto. Camila chorava por carência, soluçava por ciúmes e insegurança. E mesmo em meio a tantos coleguinhas, só o colo era capaz de torná-la segura, calma, afetivamente apreciada com atenção e carinho. 

Camila tem apenas 2 anos de idade. Entretanto, há muitas “Camila’s” adultas que choram e soluçam pelos mesmos motivos: carência, insegurança, dependência... Homens e mulheres que se sentem completamente sozinhas numa multidão. Não conseguem “viver” sem fazer parte do mundo de alguém, nem “sobreviver” sem que alguém faça parte do seu mundo. Pessoas que querem ser o centro da atenção do outro, e, ao mesmo tempo, faz do outro o centro de sua atenção, buscas, projeções etc. E dessa forma a pessoa vai se anulando, perde sua individualidade, seu respeito, sua identidade e autoestima, pois confia sua felicidade a “estranhos”, ao invés de condicioná-la a si mesma. 

Todos querem ter alguém, mas ninguém quer ser de ninguém! Querem ter um companheiro (a), um namorado (a), mas não querem ser o mesmo para o outro. E assim, o “ter” e o “ser” vão tomando conceitos absurdos nas buscas afetivas. Hoje todos querem ter, mas acabam desconsiderando o ser na vida do outro... E, é claro, o "ser" nunca é uma busca, já que o "ter" supre a dependência egoísta de quem não sabe viver sozinho, senão pela carência e dependência do mundo do outro. 

Tudo isso é uma conseqüência dos avanços do século XXI? Ou será uma “mutação” nas relações humanas em conseqüência da diversidade de gerações? “Baby Boomer”, “X”, “Y”, “Z”: gerações que, com tantas características peculiares, acabam se igualando pelas crises deflagradas no século que compartilham. 
 
De fato o avanço tecnológico vem promovendo grandes mudanças no seio da sociedade. Conflitos interno e externo que respondem às buscas já apresentadas pela “Pirâmide de Maslow”, crises de identidade já estudadas há séculos por Freud, “gap’s” nas relações humanas que refletem uma sociedade cada vez mais egoísta, carente, insegura de si e dependente do outro. 

Portanto, enquanto as crises deste século são a carência afetiva e a anulação de si por uma felicidade que “se busca no outro”, a palavra-vedete que define o ponto de equilíbrio é: autossegurança!
 
(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

9 de janeiro de 2011

Simplesmente, simples


Chega um momento que percebemos que as coisas são mais simples do que imaginávamos. Aprendemos que o complexo está na forma como olhamos, esperamos, desejamos, tememos. No final, tudo é engraçado. Mais engraçado ainda é as gargalhadas de um "Golias" que só existia na mente, no olhar...

A vida é tão simplesmente! 

Em segundos o que não era passa a existir, fecundar, nascer, respirar, sorrir, andar, crescer e crescer. Crescemos tanto que passamos a olhar com o tamanho do corpo, com a altura dos olhos, com a dimensão do alto. Perdemos, então, a noção do que é simples... 

Simplesmente sorrir, mesmo que apenas externamente; simplesmente admirar, mesmo que para boas lembranças; simplesmente tentar, mesmo que para a memória de uma tentativa honrosa; simplesmente plantar, mesmo sem saber o que vai germinar ou quando vai colher; simplesmente ser bom, mesmo que para isso tenha que ferir o orgulho; simplesmente ser, viver, aprender e apreender. Afinal, simples não é buscar saber como, quando, onde ou com quem, é simplesmente ser simples para tentar, levantar, sacudir a poeira e prosseguir... 

Crescemos pelas tentativas de acertos e somos marcados pelo recomeço, quando simplesmente enxergamos pelo olhar simples da simplicidade.
 
Simples assim!

Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados