22 de setembro de 2012

"Tempos de ouro"



No tempo dos meus avós, a evolução científica andava a passos de tartaruga. O homem não se preocupava tanto em entender e transformar seu espaço, seu mundo como nos dias de hoje. Seu esforço era voltado para valores internos e que, à época, eram perpétuos e o grande capital social.  

- [...] Pois é dona Fulana, na nossa época, não era assim [...]. Afirmou dona Sicrana.
Quem nunca ouviu esse tipo de diálogo e/ou afirmação, não vai entender que as obras da mão do homem fez evoluir apenas o seu espaço material, enquanto sua essência “humana” ficou aquém da necessária evolução.  O homem fez evoluir tanto o seu mundo, que modificou até o que não precisa... E como consequência, ganhou o grande déficit no valor moral do indivíduo. E a cada evolução adquirida, conquista-se o regresso do homem “evoluído”. E porque não dizer: dominamos o mundo e modificamos seu espaço, porém, perdemo-nos nesse mesmo mundo e nos damos conta de que nada disso nos fez/fazem felizes.

Dizem por aí, que tudo isso é para melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mas o disparate desse discurso é que a espécie humana nunca esteve tão doente, e em todos os aspectos. Nos tempos dos meus avós, amor e felicidade eram tão comuns que a ausência deles causava estranhamento. Hoje, quem os tem, passam pelo mesmo estranhamento. A questão não é o que se tem, mas sim o que se tinha; não o que se conquistou, mas sim o que se perdeu. Mas, afinal, o que perdemos diante de tantas conquistas? Se você não tem a resposta, é porque você ainda não sentiu falta. E quando perceber a falta, vai se perguntar onde estão muitas coisas.

Por que algumas coisas como “amor” e “felicidade” são realidades apenas nos longa-metragens e best-sellers da indústria cultural? Será que elementos, tão próprio do animal racional, servirão apenas como lembranças de um passado desejoso?  A questão é onde estamos buscando algumas dessas coisas, e onde depositamos e concentramos as expectativas sobre essas e outras realidades que continuam sendo nossas, não apenas de uma era passada. Nos tempos dos meus avós, elas existiam na íntegra e com louvor.

O tempo dos meus avós foi logo ali, não tão longínquo. Ainda dá tempo de voltar atrás e resgatar os "tempos de ouro” da verdadeira evolução da espécie humana. Mas isso só será possível se deixarmos de lado o imediatismo, a “pressa” que o mundo contemporâneo nos impõe. Quem caminha lentamente aproveita melhor o ambiente, a paisagem e tudo o que ela tem a proporcionar. Em contrapartida, quem corre, tende à queda e à perda de grandes emoções ao longo do caminho. O importante não é o tempo decorrido, mas sim a chegada alcançada.  

PS: o “bom” passado é um ponto de vista que requer um exercício de reflexão e interiorização. 

(Adriano Utsch Egg / Todos os direitos reservados)

9 de maio de 2012

Sensibilidade

Com o tempo se percebe que mesmo depois de adulto, cair é a melhor forma de aprender a andar, porém, sem o choro como de uma criança e sem a mãe para ajudar a levantar. E levantar, será mais uma forma de superar-se a cada dia, a cada tombo, a cada caminhada. Com o tempo se percebe, também, que é preciso abrir mão do orgulho e não segurar o choro, pois é ele que depura a alma dos que estão dispostos a aprender com as escoriações da queda. E, na maioria das vezes, choramos porque reconhecemos que precisamos aprender ainda mais sobre nós mesmos e sobre a vida.

Com o tempo se percebe que vivemos em um mundo repleto de vários outros pequenos mundos, pessoas que foram moldadas por convicções e princípios que as diferem de todos os outros. E por isso, é imprescindível que aprendamos a aceitar que ninguém precisa ser, pensar e agir como você. Reconhecer as diferenças que definem as pessoas é a sutil gentileza em dizer para si mesmo: não fujo à regra. Com o tempo, ainda, somos capazes de perceber que levamos anos para nos tornar quem somos, por isso precisamos da mesma paciência e complacência para aceitar o que os outros são, a forma como veem, sentem e expressam-se.

Com o tempo se percebe que várias pessoas vão passar em nossa vida apenas para dar tchau, e de alguma forma aprenderemos com suas curtas passagens. Aprendemos, inclusive, que é preciso lutar por aquilo que se acredita, insistir por aquele (a) que te faz bem, desbravar-se por momentos que te fazem feliz. Com o tempo se percebe, também, que você é capazes de se apaixonar novamente, amar de novo e ser feliz outra vez, porém, para viver e reviver tudo isso, é preciso acreditar em si mesmo e, principalmente, em quem está ao seu lado.

Com o tempo se percebe... Percebe-se que tudo vale a pena quando, dentro da alma, há motivação, esperança, compreensão e simplicidade para aprender com o tempo, com as pessoas, com as relações e com os sentimentos... Afinal, como eu já disse em algum momento da minha vida: não estamos prontos para coisa alguma! Entretanto, estaremos sempre preparados para sermos felizes! 
(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

8 de abril de 2012

Vale a pena!


Perca um pouco de juízo, feche os olhos. Mas mantenha os seus princípios!

Às vezes nos cercamos de tantos medos, tantas proibições que tudo o que produzimos não passa de um grande acúmulo de desejos frustrados, sonhos não realizados e histórias não vividas. Se não queremos aumentar esse “entulho” amontoado na vida real, fechemos os olhos.

As melhores coisas da vida acontecem quando de olhos fechados. Até a dor se ameniza quando fechamos os olhos. É com os olhos fechados que sentimos as melhores sensações, prazeres, descobertas... Quando abrimos os olhos para o medo, ele cega e impede de sairmos do lugar, de movermos as poeiras deixadas pelo passado. A zona de conforto é apenas para os sentinelas que não fecham os olhos nem no escuro. Para quê se blindar tanto para a vida tão curta e para prazeres que podem se eternizar? Entregue-se! Mas de olhos fechados. Conquiste novas histórias, grandes lembranças, intensos momentos. Os “fantasmas” só amedrontam os que têm medo de fechar os olhos.

Às vezes é necessário fechar os olhos para o passado, para as lembranças nostálgicas que acoitam a alma. Se ontem alguém te magoou, te decepcionou e frustrou todos os seus sonhos, não significa que hoje, ou amanhã, com esse(a) ou aquele(a) tudo irá se repetir. Liberte-se! Mas faça isso de olhos fechados, pois só assim conseguirá romper barreiras, derrubar muralhas, quebrar tabus... Até para descansar o corpo é preciso fechar os olhos. Então, faça descansar também sua alma, feche os olhos para tudo aquilo que, ao seu redor, te impede de ir além, avançar, desbravar seu mundo, seus sonhos, seus desejos. É com os olhos fechados que nos fortalecemos, encontramo-nos e também nos projetamos.

A adrenalina que “explode” no corpo é ainda mais intensa quando fechamos os olhos. Assim como as melhores letras e melodias compostas de olhos fechados. Desfrute-se! Os grandes amores só são maiores quando, de olhos fechados, permitimos que tudo seja diferente, sem os olhos esbugalhados para as especulações.  Feche os olhos! Feche os olhos um pouquinho, só um pouquinho... Verás quão forte és as batidas do seu coração, quão intenso é o seu mundo interior e quão ensurdecedor é o silêncio sob os sussurros sem juízo e sem pudor.  

Feche os olhos para sentir os melhores beijos, os melhores abraços, as melhores carícias. Feche os olhos para viver grandes paixões, experimentar e reviver os melhores sentimentos escondidos dentro do peito... Mas não se esqueça: feche os olhos, deixe o prazer surgir como fogo no escuro. Vale a pena!

(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

27 de março de 2012

A verdade


É verdade que as aventuras da vida fazem bem à alma e ao coração, pois nelas conhecemos o prazer da adrenalina que em poucos momentos na vida sentiremos. É verdade, também, que sujeitar o coração às aventuras amorosas e arriscadas pode descolorir a alma, “paralisar” sentimentos por uma vida inteira.

É verdade que o amanhã a Deus pertence; e o hoje, na maioria das vezes, é o reflexo daquilo que plantamos ontem. E o ontem, não volta! Com o passado ficam as pessoas, os momentos e tudo aquilo fizemos... E o que não fizemos, fica apenas a lembrança do medo de não ter tentado e arriscado. É verdade, também, que podemos nos esquecer de muitas coisas que fizemos hoje, mas se o que não fizemos hoje foi por medo, isso será um espinho na carne por tempos a fio.

 É verdade que seremos sempre desejosos de uma felicidade desconhecida, pois há em nós uma natureza que suspira pelo que não temos e dispersa o que deixou de ser atraente aos nossos olhos. É certo que não teremos motivos para nos arrepender do nunca tivemos, mas vamos lamentar a perda daquilo que um dia tivemos em nossas mãos e não soubemos atribuir o seu devido valor. É verdade, também, que a felicidade só se manifesta aos que não exigem perfeição e completude nos caminhos da vida, porque ela é simples como uma criança, leve como a pluma e doce como um toque.

É verdade que sentir saudade às vezes dói, outras vezes arde e, em outras, cega os olhos. Sentir saudade é ouvir do coração o que a mente, oportunamente, não processou: o quão foi/é importante aquela pessoa, aquele lugar, aquele momento... A saudade só faz mal à alma presa no passado, cativa pelo egoísmo e dependência. É verdade, também, que a saudade depura a alma dos que são gratos pelo que viveram e revigora a força daqueles que observaram o melhor da saudade: a experiência.

É verdade... É verdade que as verdades que constroem o nosso mundo, que somos marcados pelos os sentimentos que nos mostram a verdade. É verdade, também, que verdade mesmo é apenas uma: o dever de viver de verdade! 
 (Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

19 de janeiro de 2012

SOPA e PIPA, Made in EUA

Os EUA querem reaver sua riqueza a partir de um “sopão” a base de ingredientes que, de tão inusitados, chegam a causar bulimia antes mesmo de ser saboreado. Por ironia de um destino cruel, que zomba na cara da sua prepotência, agora estão a favor da anorexia na sociedade em rede. E é claro, com um discurso altruísta e benevolente ao ritmo americano.

Tramitam na Câmara e no Senado dos EUA projetos de lei para reprimirem e punirem a pirataria de produtos nas indústrias fonográfica e de cinema. Nada mais, nada menos que a proibição ao acesso livre aos produtos das maiores indústrias do mundo
da música e do cinema: Disney, Universal, Paramount, Warner Bros e tantos outros gigantes que ditam as regras, ou melhor, os ingredientes para SOPA e os ventos para empinar PIPA. Querem todos assentados nos bancos do já “deserto” Central Park para brincarem com a nova PIPA e degustarem a quentíssima SOPA, tudo feito com a magia e encanto dos chefões do "halloween econômico" norte-americano. Mas a regra é: nada de democratizar o acesso. Os direitos de propriedade intelectual da SOPA e da PIPA é Made in EUA, mas sem o ISO 9001, por favor!

Tudo pela coragem de não ficar ainda mais pobre. Tudo pelo retorno ao prazer dos tempos de glória das receitas bilionárias das grandes gravadoras e estúdios de filmes. Afinal, a riqueza não pode se concentrar na minoria jovem, à la Mark Zuckerberg,
que tomaram o poder pela internet, menos ainda deixar que os tão jovens empreendedores da geração “Y” tomem conta do mundo. Eles não podem, tem que deixar a tradição perpetuar para além dos cabelos brancos. É o grande nacionalismo americano. Os idosos caquéticos ainda precisam dos holofotes, dos cliques de paparazzis. Estão ansiosos para voltarem a encabeçar a listas dos mais ricos do mundo pela revista Forbes.

Os EUA estão meio apagadinho, com notícias que abalam ainda mais sua economia e enfraquece seu poder ditatorial. Eles precisam retomar a atenção da mídia mundial com seu poder carismático para domínio absoluto, hoje nem tão disfarçado de gata borralheira que sequer sabe aonde reencontrar seu sapato de cristal, seu domínio e controle econômico. Mas o problema é como convencer o príncipe que o castelo continua lá, nos EUA. 


Brasil, China, Índia, Japão, Rússia... Que nada! Quem é rei nunca perde a majestade, mesmo que o reino esteja com seus muros ao chão e seus cavalos sem seus cavaleiros. Vale lembrar que na história de Shrak, para subir ao trono do palácio, tem que parecer forte como o ogro, mesmo que o ser porco seja um instinto, caso contrário, nem princesa Fiona e nem reinado, a menos que consiga a camaradagem de um burrinho tagarela que acha que pode conduzir a tropa. Até a Disney soube dizer isso muito bem. Que tal aquele gesto americano com o polegar e o indicador que todos já sabem? “Ok”?!

Então, recapitulando... Todos engolindo SOPA e admirando PIPA, sem se manifestarem! No final do ilusionismo de Obama, todos têm que fazer cara de paisagem, porque a sociedade global vai ter que se acostumar sem o gurú Google, sem o terceiro olho Youtube, ou sem a mega vitrine Facebook e a "águia-correio" Twitter. Faz parte dos ingredientes. Claro, gente! Os americanos estão emocional e orgulhosamente abalados... E seus pés estão doloridos de tanto andarem em círculo para reduzir o crescente índice de desemprego no país. Isso sem mencionar os calos em suas mãos que não são frutos de um trabalho limpo, mas de carregar e manusear um arsenal de guerra antiterrorista. Na verdade, terrorismo mesmo é viver com a lembrança de que a caça ao terror deixaram eles terrivelmente com os bolsos vazios.  Esse povo sabe o que faz. Só não sabe por onde (re)começar.

Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados

17 de janeiro de 2012

Vai um estuprinho aí?

Vivemos o boom da conectividade social. O Brasil é o recordista mundial no volume de uso da internet, são quase 50 milhões de brasileiros que passam mais tempo conectados, ficando à frente dos Estados Unidos, Japão e Alemanha (IBOPE/NetRatings). Arrisco dizer que, diante dessa realidade, as redes sociais passam a ser o termômetro da mídia de massa, uma espécie de “mercado teste” para consultoria virtualmente gratuita e voluntária para as grandes audiências. É a mídia movendo a massa e a massa redirecionando a mídia. Uma relação que de tão passional, chega a ser “adúltera”, no bom sentido da palavra.

Testemunhei três grandes polêmicas nas redes sociais nos últimos dias. A primeira foi a resistência em massa ao programa Big Brother Brasil 12. E ficou bem bem claro que a direção do programa cuidou de mudar isso, gerando novas polêmicas ainda no início do programa que repercutiram nas redes, como por exemplo, a resposta de Daniel à pergunta de Pedro Bial sobre cotas para afrodescendentes no programa, eis então outra polêmica. Por último, a repercussão que virou até hit na internet e daqui a pouco estará nas letras musicais de baile funk: o suposto estupro. Ora, se a massa resiste em obedecer sua tutora, dá-lhe marretada!

O que seria um estupro? A legislação brasileira ainda não consegue definir a configuração específica para o estupro, pois a nova legislação definiu que os crimes de atentado ao pudor e de estupro são a mesma coisa, e passíveis de uma única pena. Entretanto, há quem defenda que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", pois estupro e atentado ao pudor são do mesmo gênero, mas não da mesma espécie. Não se trata apenas de dar nome aos bois, mas de saber o que distingue um boi de uma vaca, ou vice-versa. No reino animal isso é muito bem definido, mas no reino dos animais racionais, isso ainda é uma incógnita que gera muito dinheiro para os “grandes fazendeiros” da mídia de massa.

Tá na moda galera. Quem não se lembra dos estupros sociais, em massa, dos escândalos políticos? Para o PT, o “eu não vi” foi a maravilha nas saídas à francesa. Hoje, ah! “Não me lembro”. Nada melhor que uma desculpinha à brasileira, e movido pela paixão nacional: uma bebidinha de leve; afinal, o exagero está nos olhos de quem vê.

Se buscarmos a definição para “massa”, vamos encontrar um conceito genérico que faz referência à mistura de farinha com água ou outro líquido, resultando num todo espesso, tenro e consistente: uma pasta. Mas é isso mesmo, a massa não tem identidade, é uma Maria vai com as outras. Porém, à luz da lógica midiática, a massa é uma “pasta” magnificamente indispensável para se aquecer no fogo das polêmicas e comer à mesa dos banquetes milionários dos patrocínios. Viva a linda ignorância da massa! Rende milhões de reais e ainda é cega! Vai um estuprinho aí? 

 
Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados.

17 de dezembro de 2011

Mero exagero

Beba com moderação. Ah, claro! É sempre difícil controlar-se após o primeiro gole. Com ele vem a sensação de sempre querer mais... E mais... Mesmo assim eu insisto: beba com moderação. Não sei dizer como, mas posso apresentar alguns porquês. Metáfora!

Não busque tanto o “sim”, nem resista tanto ao “não”. Sabe qual a diferença entre o “sim” e o “não” em sua vida? Primeiro vamos começar pelo seu corpo... A pronúncia de um “não” movimenta mais músculos, ao passo que o “sim” exige-se bem menos, além de a direção do ar ser também diferente: em uma você aspira, em outra espira. Há uma estreita semelhança no “exercício” dessas duas palavras em sua vida, seja em força, seja em direção. O “sim” pode não exigir muita força física de você, mas certamente vai demandar muito mais do seu Eu constitutivo. Em contrapartida, você precisará de muita força para absorver o que a vida lhe trouxer com o “não”. O ar é vida, o músculo é força. Logo, enquanto com um, observe-se e libera-se; com o outro, intensifica-se as exigências. Essas palavras podem ter o significa subjetivo na vida de cada um, mas suas verdades práticas são imutáveis, porque vão sempre exigir direção e força de você. Entretanto, beba com moderação.

Não tenha tanto medo. Se um dia você se afogar, seja lá no que for, procure não se desesperar, nem debater o corpo. Não pense no pior, você pode atraí-lo. Controle sua respiração, isso vai ajudar o seu batimento cardíaco. Caso contrário, o salva-vidas pode não conseguir ajudá-lo. Mas, se ele não vier, cuide-se! Você precisará de calma para emergir-se, boa visão para localizar-se, além de muita força para chegar à terra firme! Imprevistos sempre vão acontecer, pois é na adversidade que aprendemos o quão é importante saber nadar, mesmo que contra a correnteza. Porém, não se subestime demais, nem seja tão prepotente. Beba com moderação.

Não dedique tanto tempo à internet, às redes sociais. Se hoje você não aumentar a distância entre vocês, amanhã poderá não existir proximidade com a sua realidade, ou na pior das hipóteses, a aproximação pode tornar-se robótica. Ah, claro! É a era da informação, da tecnologia, da conectividade global, da cibervida... Mas de que vale tudo isso se você não desfrutar dos resultados na vida real? Calor humano, toque na alma, beijo de língua, olho no olho, aquilo... É isso mesmo, aquilo... Aquilo que a virtualidade é desprovida. Então meu caro, policie-se! Sua diversão pode até ser em bits, mas sua vida é verdadeiramente em átomos. Ah! Esqueci de dizer que virtual pode ser também o seu mundo interior. Beba com moderação.

Beber não faz mal a ninguém. Mas a embriaguez pode te levar ao mal aqui ou ao mau acolá! Afinal, “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” (Charles Darwin). Então, beba sempre com moderação!    

Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados

29 de novembro de 2011

Força muda


O que os mais velhos não ensinaram, a vida nos ensina...

Ensina que a única certeza é a que ontem chegamos e amanhã partiremos. Nesse ínterim, o hoje, é não estar certo se vai chover, fazer frio ou calor, mas entendidos de que viveremos de acordo com as nossas intensidades e entregas.

Ensina que somos capazes de superar a perda, por maior que ela seja... Porque aprendemos que somos donos apenas do que não vemos, e o que não vemos está sempre bem guardado dentro de cada um de nós. 

Ensina que não estamos prontos para coisa alguma, e que a reticência só dá lugar ao ponto final quanto estivermos completamente terminados. Os que estavam prontos, já assinaram a ultima página da história de suas vidas, realizadamente, terminadas. 

Ensina que devemos estar preparados... Pessoas vão nos ferir e nos magoar sem que elas se deem conta disso; e sem percebermos, vamos também ferir e magoar pessoas... Mas, cicatriz só vai ficar se permitirmos que as feridas e magoas sejam maiores que o sentimento que nos ligam às pessoas.

Ensina que a paixão não é louca e que o amor não é bonzinho. Loucura e bondade são qualidades que estão na atitude das pessoas. Vilão ou mocinho são as pessoas, não os sentimentos. Ensina, também, que o ódio é a mediocridade do coração que não soube amar e não sabe perdoar-se.

Ensina que não é preciso lamentar quando o nosso melhor, dado a quem está/esteve ao nosso lado, não é/foi retribuído na mesma proporção e qualidade. O mais importante é doar-se pela certeza que seremos lembrados como alguém que passou e tatuou, ainda que com curtas linhas.

Ensina que a “outra metade” só existe para os que querem ser inteiro, e o “inteiro” só para os que querem ser metade. Ser “metade” só é válido quando caídos, não conseguimos levantar; e ser “inteiro” só quando de pé, não temos em quem se apoiar.

Ensina que não existe agulha no palheiro, pois é a procura que nos torna cegos; perdidos enquanto procuramos, somos achados quando não esperamos. Ensina, ainda, que a “Lei de Murphy” só atrai a alma do pessimista, pois ela nunca foi/é capaz de romper os seus próprios limites, vencer os seus medos e enfrentar os seus fantasmas.

... A vida nos ensina... Ensina que para sermos mais fortes é preciso olhar para o passado, pois nele está as referências para o futuro que construímos no presente. Ensina, ainda, que podemos não saber sobre tudo, mas devemos saber tudo sobre nós!

(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

Assista ao vídeo desse texto: http://ow.ly/aPJ0L

23 de novembro de 2011

Pequena grande razão


Ficamos completamente irracionais em momentos de euforia. Porém, é na "tristeza" que conseguimos racionalizar nossos sentimentos, transformonado-os em força "muda" e "cega". Somos impelidos a refletir tanto nesse momento que somos capazes de identificar causas e efeitos  desse estado de conflito interno. Encontramos fragmentos de sentimentos que, antes confusos, passam a ganhar nomes e formas exatas.

Quando alegres, queremos estar juntos dos amigos e de todos que gostamos. Quando tristes, nada mais queremos, senão ficar sozinhos num escuro que só a gente entende e se depura. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam e dizem, isso não é tão ruim quando somos capazes de refletir, qualitativamente, a favor de nós mesmos. É ali que evoluímos como pessoa e como indivíduo.

Como quase tudo à nossa volta precisa de ajustes, nós também não somos diferentes. É na tristeza, e nos momentos a sós, que podemos transformar nossos sentimentos em força gladiadora para vencer essa e outras batalhas. Porém, fica a dica: racionalizar tudo isso através da tristeza, não é se definhar na dor que ela causa, mas sim canalizar a fraqueza e fragilidade para forjarmos uma armadura de defesa e luta, uma espécie de autoblindagem.

Certo dia, uma pessoa muito querida me disse alguma coisa do tipo: precisamos “voltar” ao passado traumático para identificar nele o/qual sentimento ficou suprimido e por quê ele nos causam tanta fraqueza. Em seguida, ele preponderou: só assim venceremos nossos medos e desmistificaremos nossos fantasmas. Ele só se esqueceu de dizer que a/na tristeza é o momento certo para isso.

Eu ainda arrisco afirmar: não nos preocupemos quantas vezes ficaremos tristes por isso ou aquilo. Procuremos explorar, ao máximo, o que isso ou aquilo pode nos modificar, mesmo no ambiente da tristeza. Porque tristes, vamos ficar muitas vezes e por vários motivos. Mas, se aprendermos a fazer da tristeza a nossa aliada, poucas vezes nos tornaremos presa fácil dela!  

Então... Viva a tristeza! ... Ou melhor, a força que podemos absorver dela.

PS: Dê o seu melhor, mesmo não sendo, talvez, o bastante pra o outro. Deixe ser visto como nunca antes observado, percebido.  Permita-se ser tocado por você mesmo, mas nunca abusado pelos outros!

Contudo, leve consigo a descoberta de que pode muito além do que você imagina, surpreenda a si mesmo e encantará todos à sua volta. 


(Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados)

24 de outubro de 2011

Lindo mundo lúdico


- Estou angustiada... Sinto que tenho muito menos para viver do que tudo o que já vivi. Disse uma amiga.

Seria essa uma alusão ao saudoso passado ou ao lúdico mundo contemporâneo?

Tudo bem que tenho a metade da sua idade. Mas, ouvir aquilo me levou a refletir sobre várias coisas em minha vida. Uma delas é o que estou vivendo, construindo e como me vejo daqui a uns 5, 10 ou 20 anos? Por certo, o que faço hoje, definirá muitas coisas amanhã, seja em curto, médio /ou em longo prazo.

Os dias passam numa velocidade incrível, porque é fato que estão cada vez mais curtos, porém, é preciso se dar conta de que a soma deles representam semanas, meses, anos... Não perceber um dia ou outro é perfeitamente normal. Perigoso mesmo é não fazer dele (s) o “tijolo” na construção do futuro, do sonho, do desejo. Afinal, a era tecnológica promove mudanças e transformações no mundo à nossa volta como num piscar de olhos.

Vimos o átomo transforma-se em bits, o real dar lugar ao virtual, o calor humano à sobra das redes sociais, os sete mares reduzirem-se ao click, a vida ganhando uma “nova” alma na virtualidade. É a globalização tecnológica. Oba!!! Hã?! Evolução ou desconfiguração? Não importa! Importa o que fazemos dela e/ou com ela.

No ano de 1976, na interpretação de Elis Regina, Belchior compôs uma das músicas de maior sucesso da época: Como nossos pais; “... Ainda somos os mesmos e vivemos... Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais! Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. (...)”. Tempo em que a música foi uma forma importante de manifestação popular, onde a massa, numa só voz, aludia seu sentimento, sua identidade e o Eu - nós.  

Se essa música fosse composta nos dias de hoje, certamente o nome seria “Diferente dos nossos pais”, e, é claro: “... [já não] somos os mesmos e vivemos... [já não] somos os mesmos e [não] vivemos como nossos pais! Nossos ídolos [virtuais não] são os mesmos e as aparências enganam [sim]. (...)”; sem contar que boa parte da letra desapareceria.  

Novos tempos (difíceis ou não). Tempos de metamorfoses morais, conjugais, relacionais e de identidade. A globalização tecnológica trouxe consigo o antagonismo entre o ser e o parecer, o ser real e o ser virtual. Mundos que, na maioria das vezes, correspondem à mesma pessoa, porém, nem sempre passíveis de verdades, pertencimento ou realidade. Multi-imagens que podem até satisfazer aos olhos virtuais, mas muito pouco ao real. Fantástica sociedade-teatral das buscas, projeções e satisfações.  
  
Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados

23 de agosto de 2011

Invisível, mas real


O velhinho é infalível! Como um “cargueiro”, ele se incumbe de trazer e, também, de levar... Ele traz a cura e leva a dor. Traz o consolo e leva a perda. Traz a força para o recomeço, o otimismo para reerguer-se, e a esperança para prosseguir. O tempo é, sutilmente, fantástico! Caso o tempo não fosse tão real, não existiria passado. E caso ele não fosse tão importante, não existiria futuro, pois bastaria cada dia o sol, ou a lua, sem horas e datas.

Só “morre” de amor quem não deixa o tempo chegar e fazer a sua parte. Apega-se ao passado de tal forma, que faz do futuro a mesma face do presente. Amor não mata. Amor, cura! Mas, a falta de amor-próprio faz adoecer a alma!  

A solidão existe só para os que, no orgulho, sentem-se completos. Ou, àqueles que aceitam a fraqueza de sentirem-se incompletos, em razão de não terem uma única pessoa. A solidão também não mata. Porém, enlouquece a mente solitária e faz enfermo o corpo narcisista. Ps: prefira estar sozinho, mas nunca nos braços da solidão solitária! Estar sozinho é depurar-se.

Fico com as boas lembranças que o tempo deixou no passado; e com as  boas-novas que o futuro trará ao seu tempo. E o presente?! Ah! O presente é agora!

Tenho aprendido que tudo, verdadeiramente, passa!

Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados.

17 de julho de 2011

Saudade


Saudade da inocência da infância, onde tudo, ou nada, sorvetes ou balas, serviam de motivos para revigorar o fôlego, encher o coração... Sorrisos largos sem medos e receios. Olhos atentos sem noção de tempo. Dos choros como quem não sabia pedir ou esperar. Passos firmes sem dar conta da distância, da fadiga, dos sentimentos que surgiriam dos mesmos passos.

Saudade da fantasia do primeiro amor, das sensações do primeiro beijo, da primeira vez que nem me lembro... Saudade de um tempo de saudade...

Saudade de quem se foi sem se despedir, deixando o sorriso e os bons momentos como um cartão postal de uma visita rápida, cuja passagem tatuou o coração de quem viu e conviveu.

Saudade de quem se despediu, mas ainda não se foi. Que resiste dentro do peito aos frios e calafrios das lembranças que não querem se apagar, nem descolorir.

Saudade é o produto interno bruto do tempo que passa, e com ele tudo o que foi bom. É a moeda com correção monetária que o coração não quer pagar, já que só ele sabe contabilizar o fator de risco e o rendimento dessa demanda interna. Tudo é saudade: matemática da mente e biologia do coração!
(Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados)

13 de julho de 2011

ComUM

Hoje, as pessoas são (re) conhecidas pelo seu diferencial. A originalidade das ideias e do comportamento tem o incrível poder de atrair pessoas, conquistar admiração e gerar um grande potencial nas (inter) relações.

O ser “igual” ou “semelhante” está fadado ao "desprezo", ao olhar sem graça de quem espera a união de várias forças que se complementam. O mundo está cheio de cópias que sequer sabem sua origem, aonde vão ou querem chegar. Multidão sem identidade, essência, assinatura.

O ser “diferente” não está basicamente em padrões estéticos como muitos acreditam, ele não se apóia em meras visões relâmpagos de quem passa por si ou por outro. Diferencial é o arrojo de sair da multidão e ocupar um espaço próprio, ser visto como quem é e quem faz a diferença, por menor que ela seja. É também o talento e habilidade de fazer a mesma coisa que outras pessoas, mas com um resultado surpreendentemente peculiar.

O diferencial não é ser bom em muitas coisas, mas é fazer bem e melhor aquilo que seu talento transformou em grande habilidade e competência. É despertar dentro de si o puro prazer de aprimorar quem você é e o que sabe, mediante a combinação de autoconfiança, conhecimento, oportunidade, ação e ousadia.

As pessoas que apresentaram ao mundo uma forma diferente de pensar, agir e fazer estão em constante ascensão ou, no mínimo, eternizadas na memória de muitos. É século XXI. As pessoas buscam fugir do comum, do mundo previsível que nada tem de atraente ao olha de pessoas cada dia mais exigentes.

Não se trata da busca por status ou glória, senão a original façanha de ser visto pelo que é, não pelo que tem; notado pelo que faz, não pelo que deixou de fazer; e, é claro, ser lembrado como quem passou, moveu, mudou, transformou, inovou e fez toda a diferença numa, noutra ou em várias pessoas.
(Adriano Utsch Egg / Todos os direitos reservados)

3 de julho de 2011

Sentidos da vida

À ação, antecede um incrível processo em que células cerebrais (re) definem, com o raciocínio, toda articulação muscular e física. Antes de um mínimo movimento, acontecem “explosões” internas que dificilmente conseguiríamos entender ou acompanhar toda essa biologia do corpo humano. Entretanto, esse mundo invisível só é possível porque no mundo externo algo está em constante movimento, mudança e transformação. Um mundo visível que adentra as vias dos sentidos e se transforma em sensações inexplicáveis e imensuráveis.

A vida começa por atitude. Atitude é o começo de tudo, ou quase tudo. Mas a pergunta é: o que estamos permitindo entrar em nossa mente e/ou coração? Quem está no controle, você ou sua atitude? O que estamos fazendo para que nossas absorções convertam-se em algo “novo” e agradável? Às vezes, não é possível controlar o que entra pelas vias dos sentidos, mas é possível controlar as mudanças que isso possa fazer dentro de nós. É possível conduzir a mente e o coração a favor daquilo que se espera ou não deseja. Tudo é questão de escolha, foco e uma constante sintonia entre o desejo e seu estímulo.

O coração e/ou mente é como uma grande lavoura... Cabe a cada um cultivar a semente que quiser, ou a que melhor lhe parecer à visão, ao som, ao toque, ao tato e/ou ao paladar. Enfim, fazer da sua lavoura uma terra fértil ou estéril para “aquilo” que adentra as vias da mente e/ou do coração. Porém, consideremos também que a mente e o coração é desprovidos dos sentidos, já que eles apenas respondem àquilo que permitimos germinar. E, é claro, “comemos” do fruto que cultivamos e colhemos aquilo que plantamos.


(Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados)

15 de maio de 2011

Amor-amigo, amigo-amor


Conheci o amor, pela primeira vez, através da minha mãe. Mesmo sem saber o nome daquele sentimento, ou mesmo sem saber exatamente nada sobre ela, ou mesmo sobre mim, amei sem respaldo, sem reservas, sem medo, sem dores. Amei com toda minha alma! Hoje, este amor é maduro, adulto, amigo, com referências e sem inocência. E depois desse, tantos outros vieram e se foram... Mais alguns virão e também passarão, a menos que eu não queira! 

Com o meu primeiro amor, descobri minhas raízes, minha base, minha família. Com outros, descobrir novas forças, grandes prazeres, mais fôlego, outros pontos de vista, e mais outros, e mais alguns... Melhor mesmo é descobrir que por um amor, pode-se escolher nova família, outras referências e novas bases: o amor-amigo! E sobre esse amor, Vinicius de Moraes entendia muito bem: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”
Esse amor é cultivo, silêncio, convívio. É também partilha do "eu-nós", cumplicidade do "nós-um", retrato pintado pelo "um-sempre"! Afinal, amigo é amor, amor é amigo.
Amigo é quem sabe ver onde estamos, ler quem somos e, principalmente, desenha-nos mesmo de olhos fechamos. Ao amigo, o silêncio já não é incômodo, pois desse silêncio ecoa o diálogo, o conselho, a melhor das experiências. Amigo... Memória viva da nossa história; história digna de nossas lembranças.
Hoje sei que de nada adianta ter o ouro e a prata desse mundo se eu não tiver amigo. Entendo que a maior solidão é a de não ter amigo. Percebo que meu melhor caminho foi, é, e sempre será o amigo. Por isso, nunca abra mão de um amigo por uma pessoa que seu coração diz amar. E saiba que se você abrir mão, quando essa pessoa for embora, o sofrimento será duas vezes maior. Pessoas vão e vêm, sentimentos passam. Mas o amigo... Ah! O amigo será sempre a melhor escolha! 
PS: Faça de quem você escolheu para viver, seu melhor amigo! Faça também do melhor amigo, seu melhor amor!
Adriano Utsch Egg (todos os direitos reservados)