No tempo dos meus avós, a evolução científica andava a
passos de tartaruga. O homem não se preocupava tanto em entender e transformar seu
espaço, seu mundo como nos dias de hoje. Seu esforço era voltado para valores
internos e que, à época, eram perpétuos e o grande capital social.
- [...] Pois é dona Fulana, na nossa época, não era assim
[...]. Afirmou dona Sicrana.
Quem nunca ouviu esse tipo de diálogo e/ou afirmação, não
vai entender que as obras da mão do homem fez evoluir apenas o seu espaço
material, enquanto sua essência “humana” ficou aquém da necessária
evolução. O homem fez evoluir tanto o
seu mundo, que modificou até o que não precisa... E como consequência, ganhou o
grande déficit no valor moral do indivíduo. E a cada evolução adquirida,
conquista-se o regresso do homem “evoluído”. E porque não dizer: dominamos o
mundo e modificamos seu espaço, porém, perdemo-nos nesse mesmo mundo e nos
damos conta de que nada disso nos fez/fazem felizes.
Dizem por aí, que tudo isso é para melhoria da qualidade de
vida das pessoas. Mas o disparate desse discurso é que a espécie humana nunca esteve
tão doente, e em todos os aspectos. Nos tempos dos meus avós, amor e felicidade
eram tão comuns que a ausência deles causava estranhamento. Hoje, quem os tem,
passam pelo mesmo estranhamento. A questão não é o que se tem, mas sim o que se
tinha; não o que se conquistou, mas sim o que se perdeu. Mas, afinal, o que
perdemos diante de tantas conquistas? Se você não tem a resposta, é porque você
ainda não sentiu falta. E quando perceber a falta, vai se perguntar onde estão
muitas coisas.
Por que algumas coisas como “amor” e “felicidade” são
realidades apenas nos longa-metragens e best-sellers da indústria cultural? Será
que elementos, tão próprio do animal racional, servirão apenas como lembranças
de um passado desejoso? A questão é onde
estamos buscando algumas dessas coisas, e onde depositamos e concentramos as
expectativas sobre essas e outras realidades que continuam sendo nossas, não
apenas de uma era passada. Nos tempos dos meus avós, elas existiam na íntegra e
com louvor.
O tempo dos meus avós foi logo ali, não tão longínquo. Ainda
dá tempo de voltar atrás e resgatar os "tempos de ouro” da verdadeira evolução
da espécie humana. Mas isso só será possível se deixarmos de lado o imediatismo,
a “pressa” que o mundo contemporâneo nos impõe. Quem caminha lentamente
aproveita melhor o ambiente, a paisagem e tudo o que ela tem a proporcionar. Em
contrapartida, quem corre, tende à queda e à perda de grandes emoções ao longo
do caminho. O importante não é o tempo decorrido, mas sim a chegada alcançada.
PS: o “bom” passado é um ponto de vista que requer um
exercício de reflexão e interiorização.
(Adriano Utsch Egg / Todos os direitos reservados)













