17 de janeiro de 2012

Vai um estuprinho aí?

Vivemos o boom da conectividade social. O Brasil é o recordista mundial no volume de uso da internet, são quase 50 milhões de brasileiros que passam mais tempo conectados, ficando à frente dos Estados Unidos, Japão e Alemanha (IBOPE/NetRatings). Arrisco dizer que, diante dessa realidade, as redes sociais passam a ser o termômetro da mídia de massa, uma espécie de “mercado teste” para consultoria virtualmente gratuita e voluntária para as grandes audiências. É a mídia movendo a massa e a massa redirecionando a mídia. Uma relação que de tão passional, chega a ser “adúltera”, no bom sentido da palavra.

Testemunhei três grandes polêmicas nas redes sociais nos últimos dias. A primeira foi a resistência em massa ao programa Big Brother Brasil 12. E ficou bem bem claro que a direção do programa cuidou de mudar isso, gerando novas polêmicas ainda no início do programa que repercutiram nas redes, como por exemplo, a resposta de Daniel à pergunta de Pedro Bial sobre cotas para afrodescendentes no programa, eis então outra polêmica. Por último, a repercussão que virou até hit na internet e daqui a pouco estará nas letras musicais de baile funk: o suposto estupro. Ora, se a massa resiste em obedecer sua tutora, dá-lhe marretada!

O que seria um estupro? A legislação brasileira ainda não consegue definir a configuração específica para o estupro, pois a nova legislação definiu que os crimes de atentado ao pudor e de estupro são a mesma coisa, e passíveis de uma única pena. Entretanto, há quem defenda que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", pois estupro e atentado ao pudor são do mesmo gênero, mas não da mesma espécie. Não se trata apenas de dar nome aos bois, mas de saber o que distingue um boi de uma vaca, ou vice-versa. No reino animal isso é muito bem definido, mas no reino dos animais racionais, isso ainda é uma incógnita que gera muito dinheiro para os “grandes fazendeiros” da mídia de massa.

Tá na moda galera. Quem não se lembra dos estupros sociais, em massa, dos escândalos políticos? Para o PT, o “eu não vi” foi a maravilha nas saídas à francesa. Hoje, ah! “Não me lembro”. Nada melhor que uma desculpinha à brasileira, e movido pela paixão nacional: uma bebidinha de leve; afinal, o exagero está nos olhos de quem vê.

Se buscarmos a definição para “massa”, vamos encontrar um conceito genérico que faz referência à mistura de farinha com água ou outro líquido, resultando num todo espesso, tenro e consistente: uma pasta. Mas é isso mesmo, a massa não tem identidade, é uma Maria vai com as outras. Porém, à luz da lógica midiática, a massa é uma “pasta” magnificamente indispensável para se aquecer no fogo das polêmicas e comer à mesa dos banquetes milionários dos patrocínios. Viva a linda ignorância da massa! Rende milhões de reais e ainda é cega! Vai um estuprinho aí? 

 
Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados.

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