15 de março de 2011

Escravo do silêncio ou livre pelo poder da palavra


Quem não diz o que é, permite que o outro pense o que quiser! “O silêncio é a melhor resposta!”; esse jargão foi ligeiramente expressivo nos tempos de minha avó. Ela não entendia como as pessoas e o mundo caminhavam rumo a uma evolução estratosférica. Pra não dizer que tal jargão só foi legítimo nos tempos da ditadura militar. Vivemos em tempos “democráticos”, lugar dado aos que reconhecem a importância de suas vozes, de serem vistos, de serem lidos interna e extermamente.

Quem não se comoveu com a cena em que Hanna (Kate Winslet) silencia a sua verdade e dá a voz ao seu orgulho? Ou, de igual modo, quem não se entristeceu com a cena em que Michael (Ralph Finnes) cala-se diante de uma verdade que poderia inocentar Hanna de uma injusta sentença? Ela, analfabeta. Ele, estudante de Direito. No filme, O Leitor, eles se entregam às garras frias do orgulho amoral e desumano, onde o silêncio reprimem a redenção de suas vidas. Ambos, réus do silêncio sobre si e sobre o outro, são condenados à prisão perpétua: Hanna pela corte alemã; Michael pelo remorso. 

As palavras não ficam estáticas quando entregues às ondas do som, da voz. Elas ganham vida num mundo de sensações, desejos, projeções. A palavra tem a nobre função de levar luz à escuridão, libertar cativos e reduzir o eco nas relações intra e interpessoal. Já o silêncio, ao contrário, o oposto de tudo! A palavra tem poder. Poder de dar vida, de mudar o presente, (re) direcionar caminhos e escolhas... Tem também o poder de levar à ruína a “fortaleza” interior de uma pessoa, destruir uma civilização inteira quando usada por mentes perigosas e levianas!

Ontem por grunhidos, gestos, pinturas rupestres... Hoje, pelo português correto da nova reforma, pelas novas tecnologias de comunicação e informação que forjam uma sociedade cada dia mais em evidência. Uma sociedade de palavras. Pessoas baseadas no que dizem, que não se calam, expressam seu mundo sem medo e pelo desejo de serem vistas pelas verdades que regem seus valores e princípios. 

É tempo de abrir-se, expressar-se, validar as verdades. Permitir-se a si mesmo a oportunidade de ser conhecido pelo outro, ser lido e notado por ele. As incógnitas do silêncio são ataduras no mundo das realizações!

Adriano Utsch Egg/todos os direitos reservados.

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