24 de outubro de 2011

Lindo mundo lúdico


- Estou angustiada... Sinto que tenho muito menos para viver do que tudo o que já vivi. Disse uma amiga.

Seria essa uma alusão ao saudoso passado ou ao lúdico mundo contemporâneo?

Tudo bem que tenho a metade da sua idade. Mas, ouvir aquilo me levou a refletir sobre várias coisas em minha vida. Uma delas é o que estou vivendo, construindo e como me vejo daqui a uns 5, 10 ou 20 anos? Por certo, o que faço hoje, definirá muitas coisas amanhã, seja em curto, médio /ou em longo prazo.

Os dias passam numa velocidade incrível, porque é fato que estão cada vez mais curtos, porém, é preciso se dar conta de que a soma deles representam semanas, meses, anos... Não perceber um dia ou outro é perfeitamente normal. Perigoso mesmo é não fazer dele (s) o “tijolo” na construção do futuro, do sonho, do desejo. Afinal, a era tecnológica promove mudanças e transformações no mundo à nossa volta como num piscar de olhos.

Vimos o átomo transforma-se em bits, o real dar lugar ao virtual, o calor humano à sobra das redes sociais, os sete mares reduzirem-se ao click, a vida ganhando uma “nova” alma na virtualidade. É a globalização tecnológica. Oba!!! Hã?! Evolução ou desconfiguração? Não importa! Importa o que fazemos dela e/ou com ela.

No ano de 1976, na interpretação de Elis Regina, Belchior compôs uma das músicas de maior sucesso da época: Como nossos pais; “... Ainda somos os mesmos e vivemos... Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais! Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. (...)”. Tempo em que a música foi uma forma importante de manifestação popular, onde a massa, numa só voz, aludia seu sentimento, sua identidade e o Eu - nós.  

Se essa música fosse composta nos dias de hoje, certamente o nome seria “Diferente dos nossos pais”, e, é claro: “... [já não] somos os mesmos e vivemos... [já não] somos os mesmos e [não] vivemos como nossos pais! Nossos ídolos [virtuais não] são os mesmos e as aparências enganam [sim]. (...)”; sem contar que boa parte da letra desapareceria.  

Novos tempos (difíceis ou não). Tempos de metamorfoses morais, conjugais, relacionais e de identidade. A globalização tecnológica trouxe consigo o antagonismo entre o ser e o parecer, o ser real e o ser virtual. Mundos que, na maioria das vezes, correspondem à mesma pessoa, porém, nem sempre passíveis de verdades, pertencimento ou realidade. Multi-imagens que podem até satisfazer aos olhos virtuais, mas muito pouco ao real. Fantástica sociedade-teatral das buscas, projeções e satisfações.  
  
Adriano Utsch Egg/Todos os direitos reservados

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